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TEATRO DE BONECOS


A utilização "histórica" do Boneco como “personagem” tem a sua origem no Oriente, possivelmente no Egipto, embora hajam indícios do seu uso na Suméria (estatuária mágica) e na pré-história como condensadores psíquicos.

Em qualquer dos casos, na "época histórica", o Boneco terá "inicialmente" sido uma representação de "deuses" que, em dias de culto, era utilizado como simbolizando a presença viva do demiurgo venerado.

O Boneco funcionou, assim, durante séculos ora como "deus vivo", ora como medianeiro entre o Homem e os "deuses" ora como suporte físico de uma entidade extrafísica, ora como condensador de Prana, Vril, Orgónio, Chi, etc., ou ainda como condensador de Pensamentos Forma ou Egrégoras.

Sacerdotes e "deuses" contracenavam diante dos crentes, num ritual sagrado e místico, de acordo com uma liturgia que pretendia atingir o anelamento do Homem com o Cosmos desenvolvendo e ampliando, desta forma, a sua frequência vital (libertando-o, deste modo, da sua prisão/condição física).

Utilizados como objectos de culto, como aliás, ainda hoje, todas as religiões pagãs o fazem (amuletos, imagens de santos, etc.), os Bonecos foram sendo lentamente substituídos pelos próprios sacerdotes dando, posteriormente, origem ao “Teatro”.

Vindos do Egipto, no qual desempenharam funções "religiosas", os Bonecos Animados ressurgem na Grécia, embora já com características diferentes.
Na sequência da queda de prestígio dos "deuses", sobretudo no seio da classe aristocrata, os Bonecos Animados passaram a animar os festins dos ricos.

Assim, em todas as festas e banquetes, os Gregos, não dispensavam estas representações privadas de "Teatro de Bonecos" pelas quais pagavam elevadas quantias.

A par das Companhias de Teatro de Bonecos existiam também inúmeros comediantes e bonecreiros ambulantes que percorriam as cidades e as feiras com os seus Espectáculos de Bonecos.

Para além dos típicos Bonecos de Varetas (muito em uso na época), os Gregos, usavam outros tipos de Bonecos como Fantoches, Bonecos de Fios e Bonecos de Varão.

Consta que o filósofo Sócrates teria utilizado, por mais de uma vez, um Boneco de Luva (Fantoche) para falar aos atenienses;

O Teatro de Bonecos caracterizou-se sempre pela sua capacidade de divertir tanto as crianças com os adultos, obtendo sempre assistências numerosas.
Era prática corrente oferecer-se este tipo de Bonecos às crianças e, de tal modo eram considerados que em todas as sepulturas infantis gregas existia sempre um Boneco Articulado.

Os Romanos, durante as suas conquistas, levaram consigo Bonecos Gregos, sendo indiscutível que a origem do Teatro de Bonecos em Roma veio da Grécia.
Como seria de esperar, de Roma espalhou-se por todo o Império Romano.

Na Península Ibérica só há notícia do seu aparecimento no Século XIII e parece ter surgido com os jograis franceses e como complemento da exibição de animais amestrados.

Exibidos nas ruas, nos pátios das aldeias, nas feiras e arraiais os Bonecos Animados eram popularíssimos.

Nalguns países, os Bonecos, passaram a ser conhecidos pelo nome do personagem principal, ou da família que os criara como é o caso dos Robertos (de Roberto Diabo), dos Bonifrates (dos Bons Frades), dos Guignol (de Monsieur Guignol), dos Punch (de Mister Punch), etc., por analogia com os personagens principais, ou como os Fantoches ou os Buratini por analogia com as famílias que os difundiram.

Um pouco por todo o Oriente o Boneco Animado era usado, desde tempos ancestrais, quer com funções místicas, quer didácticas, quer lúdicas;
Os Bonecos de Sombras, os Bonecos de Fios, o Bunraku, os Bonecos de Água (Bonecos sobre flutuadores) são criações orientais cujas técnicas foram, aos poucos, introduzidas na Europa.

A história do Homem, dos "deuses" e do Universo era repetidamente contada, geração após geração, através do TEATRO DE BONECOS dos mais diversos estilos e técnicas.

Na China, por exemplo, os Bonecreiros eram tão prestigiados como os Mágicos pois os Bonecos eram considerados reencarnações de espíritos que deviam ser controlados pelo manipulador.

Em Portugal crê-se que o Teatro de Bonecos terá surgido nos Séculos XV ou XVI e sabe-se que os "Presépios" e os "Bonifrates" eram divertimento popular e frequente nos Séculos XVI e XVII.

No Século XVIII os Espectáculos de Bonecos tiveram um enorme desenvolvimento alcançando o seu auge com as "Óperas de Bonecos" de António José da Silva (o Judeu).

Em Lisboa existiram vários Teatros de Bonecos quer na Mouraria, quer no Bairro Alto e sabe-se que chegaram a efectuar-se vários Espectáculos deste género nos Salões dos Palácios Reais.

Em 1858 foi inaugurado, em Lisboa, na Avenida da Liberdade o "Theatre Mechanico" (propriedade de uma Companhia Italiana de Teatro de Bonecos).

Entretanto, devido à perseguição de que foi alvo, o TEATRO DE BONECOS, é praticamente extinto em Portugal... Tudo o que restou foram os Fantocheiros de Rua...

Em 1943, numa tentativa de recuperar o TEATRO DE BONECOS, foi inaugurado, no antigo café do Coliseu dos Recreios, o Teatro de Mestre Gil.

Em 1954, a Mocidade Portuguesa, inaugurou o seu Teatro de Fantoches no Salão do Teatro Nacional D. Maria II.

Em 1955 o Ministério da Educação Nacional organizou um Teatro de Fantoches que passou a percorrer o país em missões culturais.

Assim, durante umas dezenas de anos, o TEATRO DE BONECOS em Portugal esteve circunscrito, unicamente e exclusivamente, a representações de Fantoches.

Em 1961 realizou-se em França, em Charleville, o 1° Festival Internacional de Teatro de Marionnettes.

É, essencialmente, a partir das décadas de 60 e 70 que se assiste a um reviver (ainda que tímido) do Teatro de Bonecos em Portugal, tendo sido criados alguns grupos e Companhias dos quais, alguns ainda hoje existem...

Entretanto na Europa começa a surgir o "Teatro de Objectos", onde os personagens são objectos animados por Bonecreiros.

Os Bonecos Animados começam então a surgir na televisão em Programas Infantis.
Jim Henson cria os "Muppets" (Marionnettes/Puppets - Marretas) que, na sua época, atingiram o expoente máximo em Bonecos Mistos de Luva e Varetas.

De seguida surgem os Bonecos electrónicos (como o E.T. por exemplo)
Os Bonecos começam a ser utilizados, em larga escala, na televisão e no cinema.
Técnicos de efeitos especiais, Engenheiros e Bonecreiros começam a trabalhar, lado a lado, nas grandes produções cinematográficas norte-americanas.
Os Bonecos Animados passam a integrar uma grande parte da produção televisiva e cinematográfica mundial.

A diversidade de materiais e as novas tecnologias passam a permitir um sem número de possibilidades estéticas e artísticas...

A par das mais modernas concepções, alguns Bonecreiros, mantêm o espírito da tradição realizando os seus Bonecos com materiais convencionais e de acordo com as estéticas do passado.

As barreiras e os conceitos diluem-se dando origem a estilos e técnicas mistos.

Fundamentalmente os Bonecos usados em TEATRO DE BONECOS podem ser manipulados de cinco formas:

1- Por cima (Bonecos de Fios e de Varão);
2- Por baixo (Bonecos de Luva, de Varetas, de Varas, Mistos, Sombras,
Transparências e Silhuetas);
3- Por trás (Bonecos de Mesa, de Teatro Negro, Sombras, etc.);
4 - De lado (Algumas Sombras e Transparências, Teatro Negro, etc.);
5 - Por dentro (Bonecos Máscara ou Máscaras Corporais).
Dependendo do seu estilo, e da forma como são manipulados, assim os Bonecos ganham designações diferentes e passam a ser apelidados como:
 - Fantoches, Marionnettes, Sicilianas, Marotes, Bonecos de Mesa, Sombras, Transparências, Silhuetas, etc. etc.

Temos, assim, ao nosso dispor muitas dezenas de estilos e de técnicas diferentes e, em cada país, existem naturalmente denominações diferentes para cada estilo.

Assim, Fantoches, Robertos, Guignol, Punch, Títeres, Pupi, Puppets, etc. são, na realidade Bonecos de Luva, em diferentes idiomas, tal como os Bonifrates, as Sicilianas ou as Liégeoises  são Bonecos de Varão...